Estrutura Copa-2014: quem vai aproveitar?


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A Copa do Mundo e as Olimpíadas que serão realizadas no Brasil nos próximos anos estão atraindo investimentos que, bem explicados ou não, estão dando forma a grandes estruturas. Estádios, complexos esportivos, hotéis, novas linhas do metrô. Tudo isso tem valorizado os imóveis em diversos bairros e regiões, como os imóveis à venda em Cidade Dutra, São Paulo, por exemplo. Mas não é apenas a capital paulista. As demais cidades-sede, e outras que não receberão jogos, mas hospedarão seleções e turistas, também vão vendo as suas economias sendo movimentadas.

Apesar de toda a valorização e euforia que estamos vendo hoje, é preciso estudar se todo esse investimento será feito em obras e estruturas que serão aproveitadas depois. De nada adianta jogar bilhões de reais num projeto que será usado durante apenas um mês e depois ficará abandonado. Quem procura imóveis através de corretores, ou até mesmo pela internet em buscadores como o Nestoria.com.br, conseguirá acompanhar a valorização? Os clubes que herdarão os estádios conseguirão mantê-los? Os hotéis de luxo serão procurados depois da Copa e das Olimpíadas?

São questões que precisam ser estudadas.

Segundo matéria publicada no jornal LANCE!, uma planilha do Ministério do Esporte mostra que até junho de 2011 a previsão era de que se gastasse R$ 24 bilhões em toda a estrutura para a Copa-2014. No entanto, o Governo Federal já trabalha com o valor de R$ 40 bilhões, e as cifras não param de subir.

No projeto inicial estava previsto um investimento de cerca de R$ 6 bilhões de reais com os aeroportos, mas esses gastos podem ficar em R$ 10 bi. Com os estádios ocorre o mesmo problema. Inicialmente a previsão era gastar também aproximadamente R$ 6 bi neles, mas todas as arenas estão custando mais que o previsto, e já se fala em mais de R$ 8 bi para concluir todas.

A reforma do estádio do Maracanã, que receberá a final da Copa, estava orçada em R$ 600 milhões, mas a previsão oficial já ultrapassou os R$ 900 milhões e deve chegar, segundo o próprio governo, ao valor de R$ 1,1 bilhão. A explicação para o aumento do valor é que, entre outras coisas, não foi incluída a estrutura de concreto e instalações elétricas na previsão inicial dos gastos.

O Itaquerão, futuro estádio do Corinthians e que receberá a abertura da competição, também deve custar mais de R$ 1 bi. Outras arenas, como o Mineirão, e a Fonte Nova, na Bahia, também já tiveram seus custos excedidos em cerca de R$ 100 milhões cada.

Na Copa da Alemanha,em 2006, foram gastos 1,5 bilhão de euros – cerca de R$ 4,15 bilhões só com os estádios – metade do valor que está sendo gasto por aqui até agora. Na África do Sul, em 2010, foram gastos R$ 3,9 bi com as arenas. O Brasil já deveria ter aprendido a lição, pois vimos o mesmo fenômeno acontecendo no Pan-Americano disputado em 2007 no Rio de Janeiro, quando os investimentos deveriam ficar na casa dos R$ 500 milhões, mas chegaram aos R$ 4 bilhões, com a ajuda do governo.

Nestoria

Já que o país foi escolhido para sediar dois dos maiores eventos esportivos do mundo, estrutura é mais do que necessária. Mas além dos gastos estourando orçamentos e previsões iniciais sem explicações convincentes para tanto, existe ainda outro problema: quem vai aproveitar esta estrutura depois? O Brasil terá condições de aproveitá-las ou elas irão se tornar os famosos “elefantes brancos”, grandes construções que não são usadas por ninguém depois que os eventos para os quais foram construídas terminam?

Quando falamos de aeroportos ou novas linhas de metrô, por exemplo, este problema parece que não vai existir. Esse tipo de estrutura é carente no Brasil, a construção delas já era necessária muito antes de o país ser escolhido como sede da Copa-2014. O evento trouxe a obrigação de que elas fossem erguidas, o que não deixa de ser vergonhoso, pois, sem a Copa, provavelmente os projetos nem existiriam.

Esse é um ponto positivo do evento: para o povo brasileiro, novos aeroportos, hospitais ou linhas de metrô vão facilitar muito o dia a dia de milhões de pessoas. Já quando falamos dos estádios…

Vamos aos fatos e números: Cuiabá será uma das cidades-sede da Copa-2014. A capital do Mato Grosso está construindo uma arena (Arena Pantanal) para quase 60 mil pessoas (depois da competição, a capacidade cairá para 45 mil). Mas a cidade, e o estado, não possuem nenhum time de futebol na elite do futebol brasileiro, nem na primeira, nem na segunda divisão nacional.

O time que herdará a arena é o Cuiabá – MT, da capital do estado, que atualmente disputa apenas o campeonato regional e a série D do futebol nacional. Segundo um ranking elaborado pelo site globoesporte.com, o Cuiabá tem a quarta pior média de público entre os times que disputam as quatro divisões do futebol brasileiro. O clube ocupa a 97ª posição, com 174 pagantes por jogo. O mesmo problema é visto em Manaus. O estádio construído lá será utilizado pelo Nacional – AM, que também disputa a série D e tem média de 497 pagantes por jogo, ocupando a 82ª posição.

O clube mandante tem sempre que arcar com os custos do estádio para receber um jogo: pagar os funcionários como bilheteiros, vigias e vendedores, por exemplo, além de custos adicionais. Nas divisões inferiores, o custo por jogo é, em média R$ 4 mil.

Vamos tomar por base a média de público do Cuiabá – MT. Se o clube vende os ingressos a R$ 10, ele terá, por jogo, uma renda de R$ 1.740 levando em conta a sua média de público. Não é possível arcar nem com a metade dos gastos de seus jogos como mandante, o que o leva a ter prejuízo a cada jogo que faz em casa. Isso sem mencionar outras despesas, como folha de pagamento e manutenção do estádio, que, moderno como está sendo construído, dará com certeza gastos bem maiores.

Nestoria

Os clubes brasileiros estão falidos, principalmente os pequenos. O Cuiabá – MT não conseguirá manter o estádio Quem o fará? O governo? E quem vai utilizar a estrutura? É nesse momento que surgem os elefantes-brancos. A cidade não os mantém, pois os clubes não possuem condições para isso. O governo pode arcar com os custos, mas, como terão poucos jogos e eventos no local, logo abandonará a arena.

E este não é um privilégio do Brasil. O Stade de France, em Paris, que recebeu a final da Copa da França em 1998 também encontra-se abandonado. Os principais clubes da capital francesa possuem estádio e raramente o usam. O Stade de France é usado apenas para jogos esporádicos da seleção francesa, shows ou outras modalidades esportivas. Mas é pouca movimentação para o tanto que foi investido nele e o tanto de custo que ele gera.

É preciso tomar cuidado para que não sejam milhões de reais jogados no lixo. Além de prestar contas sobre o que está sendo feito com o dinheiro investido, é preciso também que as autoridades apresentam projetos convincentes que justifiquem todo o dinheiro, público ou não, que está sendo despejado nos eventos.

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